sexta-feira, dezembro 7

Arredia.





***


Um dia desses eu acordei querendo roubar a lua pra mim. Egoísmo! Disse a minha consciência. Ontem eu acabei descobrindo que tem alguém apaixonado por mim. Já parou pra pensar que enquanto estamos tão revoltados ou ligados em outras coisas da vida, pode ter alguém por ai que só pensa na gente? Que pode está apaixonado por nós? Nesse caso, por mim. Dia desses me sentir tão sozinha. Foi isso que me tirou dessa tremenda fossa. Eu sabia que em algum lugar desses tem alguém que é por mim. Essa história toda da lua surgiu como um surto da minha psiques mal curada. Se é que isso pode acontecer.   
Estava eu andando pela casa até quando escutei um barulho e como não me importava mais esse mundo, medo já não estava incluso em minha cons(ciência). Descobrir que tinham acabado de invadir a casa da minha vizinha. O pior que a invasão era de mentirinha. Ela tinha pagado um cara para invadir a casa dela e depois... Daí já não mais importa. Quando dei por mim estava muito próximo da varanda, percebendo todo aquele movimento que se passava. Quanto mais ele subia, ela fingia que gritava, até porque aquele horário mais “ninguém” estava acordado. Além de mim, claro, percebendo toda aquela cena cômica e um tanto quanto exagerada. Mas ainda assim me perguntava “Por quê?”. Primeiro pensei que pudesse realmente ter sido isso, pagamento e produção. Talvez ele fosse o que chamamos de moço da conta. Da conta das mãos, dos pés, das coxas... Mas e por que ele não poderia ser um amigo que veio conversar nas horas vagas enquanto sua família esta sonhando? Enfim, toda aquela história me trouxe uma sensação muito arredia. Eu simplesmente sentir raiva dela. Porque nem invadindo a minha casa conseguir tal proeza, aliás, nem nunca invadiram minha casa. Foi quando tive uma ideia!
 Era uma quinta feira à noite e eu estava totalmente em mim. Olhei pela janela que dá para vizinha, e a deixei entreaberta. Jurei que nunca mais faria isso. Peguei a minha chave, abrir a minha porta e deixei a chave lá, pendurada. Sentei no sofá como se esperasse qualquer coisa e a qualquer momento. Esperei. Esperei. Esperei... Cochilei. Acordei assustada dando o pulo do gato “Ai! Entraram e eu nem sentir!”. Dei-me conta de que a porta estava exatamente no mesmo lugar, eu sentada exatamente como estava e já era de manhã. Raiva. Esperei a outra quinta feira. Olhei pela janela e vi que a vizinha já se preparava para o desfrute. Foi quando peguei a chave, abrir a porta e sentei no sofá. Esperei, esperei... Nada. “Não é possível!” Gritei. E isso foi se repetindo, repetindo, repetindo. E foi se tornando um vício profundo. “Essa é a última vez.”.  Enganava-me.
Até o dia que eu fiz tudo como mandava meus costumes. Só que dessa vez a vizinha estava na sua sala de leitura, tomando chá. “Chá? Mas será que ela enlouqueceu? Ou simplesmente esqueceu que dia é hoje?” Enfim, encucada, mas continuei arrumando tudo nos conformes. Peguei a chave, abrir a porta e sentei no sofá. Só que dessa vez eu não cochilei, não teve nem tempo. Sentir que tinha alguém se aproximava. “Mas o que isso?”. Não me conformei. Todo esse tempo e agora que entrou? Não me conformei. Ele entrou, pegou as chaves e trancou a porta. Olhou pra janela entreaberta e me segurou firme. E ai eu cochilei. Profundamente. Só que dessa vez eu acordei com outra aparência, com outro cheiro, como outra. Nesse dia não sai de casa. Anoiteceu. Foi quando resolvi abrir a janela. Ai eu vi. Minha vizinha no quarto e o cara invadindo novamente sua casa, como de costume. “Mas... Mas... Mas! Então hoje é quinta feira?”
Percebe tudo que eu havia feito, estava ficando louca ou o quê? Não é possível. Fechei a janela, peguei a chave, abrir a porta e como ficou eu a deixei. Entrei pela sua porta entreaberta, subi suas escadas, entrei no seu quarto e vi a movimentação. Com um suspiro o homem que invadia a sua casa todas as quintas feiras nunca havia sido um problema perante a minha presença ali. Antes mesmo dela falar alguma coisa, ainda em pleno movimento, eu suspendi a minha inocência e fraqueza e disse “Ontem foi quarta feira!!!”. E em ininterruptos momentos, lancei a minha fraqueza perante aquele movimento. Foram dez lances. Em cada um.
Sai de lá, deixando a porta aberta e suas chaves penduradas na porta. Entrei em casa, fechei a porta e deixei a janela entreaberta. Sentei no sofá e cochilei. Um dia desses eu acordei querendo roubar a lua pra mim. Egoísmo! Disse a minha consciência. Ontem eu acabei descobrindo que tem alguém apaixonado por mim.



Mais uma de Amor.

terça-feira, junho 26

Hoje eu acordei.




   Hoje eu acordei preocupado, não tinha certeza se era mesmo verdade tudo aquilo que aconteceu ontem comigo. Ou melhor, ontem não, há tempos aquilo estava na minha cabeça, rondando o meu corpo, a minha alma e os meus sentimentos que não vivem à sós. Ontem, é só uma maneira egoísta de contar o quanto eu demorei pra entender isso. Agora a incerteza percorre as minhas veias que estão saltando dos meus braços, da minha memória, da minha cabeça. Estou explodindo por dentro e tento omitir tudo isso por fora. Será mesmo preciso exigir tanto de mim? Será necessário mentir sobre isso? A verdade é que agora eu estou completamente, indeciso.

   Hoje eu acordei preocupado. O que eu quero contar é indescritível, ou incontável, são sentimentos involuntários. E sentimentos assim não se descrevem, não se entendem... São sentidos. Aliás, nenhum sentimento. Há algum tempo eu tenho evitando assumir tudo isso. É que agora eu cresce mais, começo a andar com meus próprios pés, está "tudo" dando certo e eu - modestia parte - agora eu sou diferente, a beleza bateu na minha porta. Entende? Assumir isso agora é tão difícil pra mim quanto pra você ,que me parece agora tão compreensiva e sensível pra mim. Eu não sei o valor disso, mas é muito forte e agora ninguém mais pode se entrometer. Acho que isso somos nós dois, e mais ninguém.

   Hoje eu estou prestes a acordar pra um novo sonho, sim, eu estou dizendo tudo isso pra você. Hoje eu acordei prestes a fazer uma loucura. Eu ia embora e ia deixar a pessoa que me completa ir embora também, me deixar, eu ia te deixar. Mas eu percebe que eu preciso fazer isso, preciso ficar e te contar o que eu sinto. E eu já começei, e se eu não continuar... Eu não o farei mais. Você conhece o meu jeito, sabe dos meus gostos e sabe que eu te engano. Que engraçado isso, mesmo sabendo que eu te enganava quando dizia que fazia uma coisa e estava em outro lugar, você me recebia com um sorriso limpo e com tanto amor e atenção! E isso em deixava louco! Louco de raiva por você não admitir que estava com ciúmes e que estava triste por eu não te dar a atenção que merecia. Louco ainda mais por gostar tanto de você e quando  te ver isso ser único, ser nosso, ser tanto assim! Nós. Louco por quando estamos distantes você lembrar de mim, e eu pensar tanto em você, mas não dou o braço a torcer. Louco por ser um covarde e preferir a minha liberdade.

   Quando estou com você eu sempre pensava em te contar isso, mas eu precisava de um tempo. Um distanciamento. É que eu não consigo admitir, não sei se vai dar certo, ou vai dar tão certo que eu só tenha você e mais ninguém. E você vem com esse jeiitnho de que me quer tanto pra você e pergunta "Pra que tanto medo?". Eu realmente queria saber, mesmo não admitindo que não sinto medo. Eu faço a sua cabeça, mas eu sei que você não é besta e você me quer bem. Aqui eu já pensei em parar várias vezes, mas quando você me olha assim, eu sei que é preciso continuar. Será que a gente se engana? E você novamente não entende a minha "enrolação" e me diz que a nossa sorte é o nosso ascendente. Eu transformei tudo isso em cobrança, em algo tradicional, mas eu confirmo, somos um "casal" diferente.

 Hoje eu acordei preocupado, é que eu, tão certinho, doidinho e popular, estou completamente apaixonado por uma menina linda, simples, doidinha e que anda descalça por ai.




Mais uma de Amor.

domingo, maio 13

A Meninice.


          


      Me disseram hoje que o sol não vai mais nascer. Fiquei tão desesperada que fui correndo pra casa. Quando cheguei, estava lá, a casa vazia. Entrei e comecei a procurar meus irmãos, um de cada vez, eu tinha feito uma lista mentalmente. Fui à cozinha, onde com toda certeza alguém estaria esperando por mim, a mamãe. Mas nem ela estava lá. Era como eu havia dito - vazia. Mas como? Precisava fazer alguma coisa, afinal, como viveríamos sem o sol daqui em diante? Elas que faziam valer cada minuto quando estava cansada de buscar água no poço, elas que me de alguma maneira me davam esperança para poder continuar a caminhar descalça pelo barro.
         Depois de um tempo sozinha, fui procurar o Adolfo. Entrei na sua casinha e ali fiquei. Ele também não estava mais. Acho que foram embora e me deixaram para trás. Será que eu devo ir atrás? Mas para onde eles poderiam ter ido? Nessa hora eu escutei um barulho que vinha do meu quarto. Bati a minha cabeça na quina na casa do Adolfo, corri até a cozinha peguei a colher de pau da mamãe e fui até a porta que já estava fechada. Fui andando olhando profundamente todos os cômodos que apareciam. Escutei novamente o barulho e me agachei atrás do sofá, de canto de olho percebe que tinha alguma coisa no quarto dos meus irmãos. Levantei e bem devagarzinho fui até a porta deles. Empurrei a porta e sair correndo de medo. Depois de um tempo voltei até o quarto e resolvi olhar se realmente havia alguém lá dentro. Nada. Sai com mais medo ainda, fechei a porta, fui para sala e nada. Voltei para a porta virei para frente e vi o resto do corredor. Não Sabia se olhava para o fim do corredor ou se olhava para trás, com medo de que a coisa misteriosa me pregasse uma peça por trás. Dei alguns passos e percebe que a coisa estava dentro do meu quarto. Encostada na parede do corredor fui me arrastando até o final do corredor.  Segurei na maçaneta como se prendesse o que estivesse lá dentro, do outro lado da porta. Por medo. Mesmo assim eu precisava terminar aquilo e encontrar a minha família. Empurrei a porta e gritei de olhos fechados. Depois de um tempo curto, abrir os olhos e percebe que dentro do meu quarto havia uma luz muito forte. Tomei coragem e comecei a entrar. Olhava para todos os lados inclusive para trás. Entrei e fechei a porta, para não correr riscos. A luz me incomodava bastante e ela estava vindo debaixo da minha cama. Um pouco distante, deitei no chão e vi o que era. Rapidamente outro barulho, alguém havia entrado na minha casa! Levantei abrir a porta do quarto e vi. Eram meus irmãos brincando pela sala, minha mãe cozinhando e minha avó costurando na varandinha. Achei estranho e fui novamente para casa do Adolfo, mas ele estava lá, dormindo como um anjo. É, um anjo. Foi quando eu percebe o que havia acontecido. E agora? Como eu levo o sol de volta para o céu?


Mais uma de Amor.

sexta-feira, abril 13

À dois.






Lúcio está sentado em um canto da sala vazia, enquanto Malu esta no meio dela. Deitada, com as pernas para cima, lendo um livro com os cabelos soltos e espalhados pelo chão.

(pensativoMalu. 
(distraída com o livroOi. 
- Já pensou em escrever uma história?
(bocejandoAh não. 
(levantando e começando a andar devagar pela salaE por que não? 
(folheando o livroAh não. 
- Podia ser uma saída. Imagina só? Seria o momento certo de você conseguir colocar em prática todas essas suas ideias meio (pensa) “diferentes”, e ao mesmo tempo conseguiria desatinar um pouco esse nó que é a sua cabeça (segurando os pés dela) Uma história sem pé (olha para os pés dela e abri as pernas desta) nem cabeça.
- (rapidamente ela olha para as pernas abertas, fecha e vira de bruço) Não Lúcio. (olhando para o lirvo) Não é assim, simplesmente porque eu tenho que resolver um problema da minha vida, eu escrevo sobre isso e fim? Você acha que assim eu conseguiria resolver isso?
- Pelo menos fugir um pouco dessa molera (meio cansado)
- (vira para Lúcio, um pouco nervosa) E você queria o que? Que todos os meus assuntos inacabados fossem resolvidos assim? Eu escrevo uma história sobre isso e ai sim, eu relaxo. Esqueço? Não. Não é assim Lúcio.
- Poderia te ajudar, pelo menos para que você voltasse a querer... (abaixa até ela)
- O que? (senta)
- (meio desajeitado) Voltar. A escrever sobre coisas mais felizes.
- Ah. (vira-se para o livro) Já percebeu que as histórias mais bem contadas e mais bem resolvidas são as mais tristes? (fecha o livro) E elas vendem mais Lúcio. (levantando-se olhando ao seu redor como se procurasse outro livro)
- E o que importa? O que importa se vendem mais? Você não escrevia só por amor (concertando-se) Ou melhor, por paixão? 
- Ainda escrevo por isso. Mas a paixão já terminou.
- Tem certeza? (rir) Eu poderia agora mesmo te mostrar que isso tudo que aconteceu não foi por acaso.
- Ah é? Então me diz um motivo útil de chegarmos aqui e estar tudo totalmente vazio (olhando para Lúcio)
- (meio triste) Para que a gente pudesse aproveitar.
- Aproveitar o que Lúcio?
- Tipo... (alegremente) Dançar? Escrever...
- Dançar? Ah não.
- (pega na mão da Malu e a puxa para uma dança agitada) É Malu, esquece, deixa de ser tão metódica! Dance comigo!
- (rindo) Para com isso Lúcio.
- (continua) Vamos Malu!
- (rindo) Para com isso Lúcio!
- (continuando) Escreve Malu! Escreve sobre tanta coisa bonita que você conheceu que você faz! Escreve sobre o que você vê, escreve sobre seus sentimentos, escreve sobre você! (puxa ela) Escreve sobre nós.
- (ofegante e imobilizada) A gente pode só dançar então?
- (segurando ela mais devagar, abraça e dança junto no meio da sala) Sabe o que eu lembrei agora? Aquele dia que você ficou bêbada e começou a imitar Piaf, no final daquela música.
- (rindo e imitando a cantora) “Milord!”
- (rindo) É... (olha pra ela) E o melhor... é sentir que você acredita que faz igualzinho a ela. Eu queria...
- (olha pra baixo e ajeita o cabelo) Que você estivesse aqui de verdade... Eu já sei.
- E eu realmente conseguisse acreditar que você pudesse voltar a escrever para mim.
- (ela o beija de maneira diferente e igual para os dois) E eu queria que você pudesse perceber que eu ainda escrevo para você. (solta ele e volta a deitar no chão, ele volta para o canto de origem)
- Malu.
- Oi. (deitada e distraída com o livro)
- Já pensou em escrever uma história?


BLACK.



Mais uma de Amor.

quinta-feira, março 29



Depois de um tempo a gente simplesmente se acostuma a esperar. 

Espera dar à hora de comer, espera a hora de dormir, espera por horas.

 Mesmo assim a pior espera é aquela que você sabe que não vai adiantar nada esperar. 

Mas você espera. 

Você já deve ter feito muita coisa nessa vida, mas acredite, metade delas foi esperando algo acontecer repentinamente. 

A sua, a minha, a nossa desculpa é simples, acreditar no destino.




Mais uma de Amor.

quarta-feira, março 21

A Carta.



    

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    Eu consigo me lembrar bem daquele vestido de cor avermelhada, com uma renda nas pontas, que suavemente formavam ondas quando ela passava próximo a água salgada. O que me fazia refletir era o que um vestido tão lindo como aquele fazia aquela hora na praia. Era renda. Renda! 

   Lembro também do momento em que ela deixou os dois saltinhos serem levados pela maré e distante, pensava. Até que algo me chamou atenção, a sua renda estava rasgada na ponta direita, isso se você olhasse de costas. Mas era renda. Por que? 

   Quando percebeu que eu estava próximo, limpou o rosto com a mão cheia d'água, olhou para o nada e me perguntou com muita fragilidade: "Você gostaria de ter um amor para vida toda" 2 segundos depois ela retrucou a si própria e disse: "Tola!". Eu pensei. Virei o rosto para aquela renda imperfeita e perguntei: "Você acredita que se possa amar uma só pessoa na vida?". Duvidosa, indecisa e com toda certeza machucada. 

   Me sentei próximo aos seus pés e tentei enxergar o horizonte. Ela se sentou, cruzou as pernas e me olhou. Sem falar uma só palavra deitou sua cabeça no meu ombro. Estático. Imperfeito como a sua renda. A mágica estava feita. Era como um passarinho solto, porém, perdido. Olhou para mim, quase me comendo com os olhos (nunca ninguém me olhou com tal profundidade). 

   Meio chorosa ela respondeu com a cabeça "Não". E eu juro que não lembro direito o tempo, a hora e o clima. Só sei que foi o beijo mais verdadeiro que já recebe. Depois disso eu estava completamente dentro da sua teoria. Um amor para vida toda. Depois daquela noite nas minhas lembranças, essas sim para a vida toda. 

   Hoje eu não me lembro mais de você, meu amor, mas aquele sorriso eu nunca mais irei esquecer.




Mais uma de Amor.

domingo, fevereiro 26

1999.


1999.



Agosto - daquele dia.


   Uma história que não tem mais fim, ela volta. E volta, e volta... E... Volta. Já se passaram quase 9 dias e ela não volta. A sensação não é de perda. A sensação não é de ganho. A sensação é insensível. 9 dias.
   Ela entrou me olhou e disse que queria sair. Eu olhei pra ela e nada disse, como se nada tivesse acontecido voltei para o quarto e com olhos ela me acompanhou. Mesmo que eu não estivesse olhando-a nos olhos, de alguma forma ela conseguia me enxergar. Talvez eu estivesse tão transparente a esse ponto, talvez ela estivesse enxergando demais.
   Como se fosse um ser invisível ela pedia de todas as formas para que eu a deixasse. E de todas as formas eu a fazia sentar. Ela não queria mais. Já estava cansada, ela disse. Depois de 9 minutos esperando na porta, ela entrou, segurou meu rosto e disse: Me deixa. Ali eu percebi que ela só iria embora se eu a deixasse ir. Depois disso eu a segurei pelos braços, fiz com que ela se sentasse na cama... E ela me acompanhava. Em 9 segundos ela sentou, e em mais 9 ela não mais aguentou. Deitou e deixou que eu a levasse para casa.
   Depois de derramar exatamente 9 lágrimas.
   Eu a fiz levantar, eu a fiz arrumar as roupas, eu a fiz enxugar aquelas lágrimas, eu a fiz... Segurou forte a maçaneta da porta, deixou as chaves, novinhas aquelas, em cima da TV e como ela mesma diria p’ra mim se estivesse aqui, cantou. Eu amo você.
Saiu pela porta correndo, deixou cair todas as roupas pela escada, deixou o retrato quebrar, tropeçou, caiu, chorou e gritou! Me deixe ir. E de lá de cima, silenciosamente segurei a maçaneta da porta, fechei com as chaves, 9... Novinhas aquelas. E a deixei voar.



Mais uma de Amor.