sexta-feira, abril 13

À dois.






Lúcio está sentado em um canto da sala vazia, enquanto Malu esta no meio dela. Deitada, com as pernas para cima, lendo um livro com os cabelos soltos e espalhados pelo chão.

(pensativoMalu. 
(distraída com o livroOi. 
- Já pensou em escrever uma história?
(bocejandoAh não. 
(levantando e começando a andar devagar pela salaE por que não? 
(folheando o livroAh não. 
- Podia ser uma saída. Imagina só? Seria o momento certo de você conseguir colocar em prática todas essas suas ideias meio (pensa) “diferentes”, e ao mesmo tempo conseguiria desatinar um pouco esse nó que é a sua cabeça (segurando os pés dela) Uma história sem pé (olha para os pés dela e abri as pernas desta) nem cabeça.
- (rapidamente ela olha para as pernas abertas, fecha e vira de bruço) Não Lúcio. (olhando para o lirvo) Não é assim, simplesmente porque eu tenho que resolver um problema da minha vida, eu escrevo sobre isso e fim? Você acha que assim eu conseguiria resolver isso?
- Pelo menos fugir um pouco dessa molera (meio cansado)
- (vira para Lúcio, um pouco nervosa) E você queria o que? Que todos os meus assuntos inacabados fossem resolvidos assim? Eu escrevo uma história sobre isso e ai sim, eu relaxo. Esqueço? Não. Não é assim Lúcio.
- Poderia te ajudar, pelo menos para que você voltasse a querer... (abaixa até ela)
- O que? (senta)
- (meio desajeitado) Voltar. A escrever sobre coisas mais felizes.
- Ah. (vira-se para o livro) Já percebeu que as histórias mais bem contadas e mais bem resolvidas são as mais tristes? (fecha o livro) E elas vendem mais Lúcio. (levantando-se olhando ao seu redor como se procurasse outro livro)
- E o que importa? O que importa se vendem mais? Você não escrevia só por amor (concertando-se) Ou melhor, por paixão? 
- Ainda escrevo por isso. Mas a paixão já terminou.
- Tem certeza? (rir) Eu poderia agora mesmo te mostrar que isso tudo que aconteceu não foi por acaso.
- Ah é? Então me diz um motivo útil de chegarmos aqui e estar tudo totalmente vazio (olhando para Lúcio)
- (meio triste) Para que a gente pudesse aproveitar.
- Aproveitar o que Lúcio?
- Tipo... (alegremente) Dançar? Escrever...
- Dançar? Ah não.
- (pega na mão da Malu e a puxa para uma dança agitada) É Malu, esquece, deixa de ser tão metódica! Dance comigo!
- (rindo) Para com isso Lúcio.
- (continua) Vamos Malu!
- (rindo) Para com isso Lúcio!
- (continuando) Escreve Malu! Escreve sobre tanta coisa bonita que você conheceu que você faz! Escreve sobre o que você vê, escreve sobre seus sentimentos, escreve sobre você! (puxa ela) Escreve sobre nós.
- (ofegante e imobilizada) A gente pode só dançar então?
- (segurando ela mais devagar, abraça e dança junto no meio da sala) Sabe o que eu lembrei agora? Aquele dia que você ficou bêbada e começou a imitar Piaf, no final daquela música.
- (rindo e imitando a cantora) “Milord!”
- (rindo) É... (olha pra ela) E o melhor... é sentir que você acredita que faz igualzinho a ela. Eu queria...
- (olha pra baixo e ajeita o cabelo) Que você estivesse aqui de verdade... Eu já sei.
- E eu realmente conseguisse acreditar que você pudesse voltar a escrever para mim.
- (ela o beija de maneira diferente e igual para os dois) E eu queria que você pudesse perceber que eu ainda escrevo para você. (solta ele e volta a deitar no chão, ele volta para o canto de origem)
- Malu.
- Oi. (deitada e distraída com o livro)
- Já pensou em escrever uma história?


BLACK.



Marina Ramos

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