terça-feira, janeiro 29

Tão nós.




                                                       ***                                                                    

Ele disse que não ia me beijar
Mas ele beijou
E eu também disse que tudo aquilo talvez fosse passar
Mas não passou
Por algum tipo de fraqueza ou de sorte
Mesmo que não fosse tão forte
Aquilo tudo cresceu
E não foi da noite para o dia (e nem vise versa)
Hoje eu me peguei olhando profundamente pro meu eu,
Mas lá no interior
Onde tudo esteve tão confuso
E hoje às vezes senti a solidão tão de pertinho,
A verdade ela é plural, e o correto não há
E até que eu quisesse fugir
Ou um dia talvez recomeçar
Tudo aquilo que um dia fez tanto e tampouco sentido para nós dois
Eu estaria me enganando
Fugindo de mim mesma
Estaria correndo de mim
De você
De nós dois
A verdade ela é plural, continental e por vezes distante
Não sabemos a ordem, mas ainda assim faremos, fazemos planos
Não sabemos sobre as surpresas, e nem elas sobre nós
De nada temos certeza
Só mesmo daquilo que eu guardo em mim
Sinto em mim
Para você,
Que um dia já me olhou com tanta vontade de amar
E eu um dia me deleitei nos braços de voar,
Reparo, afago, me jogo, me deito, e voo
Para que tudo aquilo que hoje faz mais sentido, mesmo sendo confuso às vezes
Para que possamos aproveitar cada minuto juntos
Ou distantes
Ou equiparantes
Para que nós dois, sejamos nós dois
Pequenos, porém grandes
Pretensiosos e desesperados
Aliviados e totalmente desregulados
Porém, definitivamente
Apaixonantemente
Amantes para todo sempre.



Marina Ramos 

quarta-feira, janeiro 9

Meu caro querido.




- Oi.

Não tenho mais forças para dizer uma se quer outra palavra que não seja isso. Oi.
Saúdo aqueles que conseguem transformar isso em uma frase composta, ou que ao menos possa acompanha-lo com um sorriso. Estive pensando em lhe falar isso há tempos meu querido, mas não consigo. Não sozinha. Não sem te olhar, pela última vez... Juro que dessa vez vai doer menos, dessa vez vai ser para sempre. Estamos os dois cansados, digo, exaustos. Não sei como você suportou todos esses dias, ainda com coragem e forças para retornar cada carta que eu não enviei. Retornar todos os sorrisos que eu não te dei. Retribuir as forças que eu nunca nem se quer te emprestei. Não sei mais se é medo, acho mesmo que estou fadigada da vida.
Desculpa meu querido, falo demais e sei que palavras assim pode nos machucar ainda mais. Só que eu não consigo ser diferente e acho que você sabe disso. Quero fazer diferente dessa vez meu amigo. Quero que dessa vez eu possa ser diferente pra você. Para nós dois. Querido, deixo então aqui uma lista de coisas para você não esquecer. Aqui vão:
1-   O mundo não vai acabar, ele só vai descansar por um dia, até o mundo merece isso não é? Talvez falte luz na cidade toda, mas a Lua não vai te deixar na mão.
2-   Por favor, não deixe mais pra depois aquele seus inúmeros projetos de vida. Sim, são só projetos, no entanto meu querido, eles só irão fazer, de fato, parte de você quando coloca-los em prática.
3-   Não esquece que o leite azeda.
4-   Cuidado quando usar aquele seu sapato sem cadarço, da última vez eu tive que te salvar.
5-   Escute as melhores músicas que puder. Elas serão melhores porque você vai acha-las assim, serão melhores para você.
6-   E não deixe de sonhar nunca, foi assim que a gente se conheceu, sonhando...

7, 8,9,10,11, 12, 13, 14, 15, 16...

Ainda assim, eu sei que você vai acabar esquecendo muitas das coisas que eu listei. Sinto por continuar sendo tão metódica e sonhadora. Meu caro, não consigo mais, por isso já fiz a minha lista de coisas a não mais esquecer. E depois de você... Ela parou de crescer. Não sei como fazer mais, não posso te ver chorar por isso mando essa carta. Um tanto quanto tradicional para você, um querido tão moderno e ao mesmo tempo tão... Você. Quero desocupar você, ando fazendo muita falta a mim mesma, já não penso mais em mim. Quero desocupar você de pensar em mim também. Querido, só tenho mais a lhe dizer que eu sentirei a sua falta. Falta de sentir o seu sorriso chegar a mim com tanta força. A falta ainda mais de escutar você falar qualquer coisa. E mais ainda de te perceber como percebi esses dias. Tudo isso só foi para dizer pela primeira vez: Oi... Oi meu amor.

Camila.




Marina Ramos