domingo, maio 13

A Meninice.


          


      Me disseram hoje que o sol não vai mais nascer. Fiquei tão desesperada que fui correndo pra casa. Quando cheguei, estava lá, a casa vazia. Entrei e comecei a procurar meus irmãos, um de cada vez, eu tinha feito uma lista mentalmente. Fui à cozinha, onde com toda certeza alguém estaria esperando por mim, a mamãe. Mas nem ela estava lá. Era como eu havia dito - vazia. Mas como? Precisava fazer alguma coisa, afinal, como viveríamos sem o sol daqui em diante? Elas que faziam valer cada minuto quando estava cansada de buscar água no poço, elas que me de alguma maneira me davam esperança para poder continuar a caminhar descalça pelo barro.
         Depois de um tempo sozinha, fui procurar o Adolfo. Entrei na sua casinha e ali fiquei. Ele também não estava mais. Acho que foram embora e me deixaram para trás. Será que eu devo ir atrás? Mas para onde eles poderiam ter ido? Nessa hora eu escutei um barulho que vinha do meu quarto. Bati a minha cabeça na quina na casa do Adolfo, corri até a cozinha peguei a colher de pau da mamãe e fui até a porta que já estava fechada. Fui andando olhando profundamente todos os cômodos que apareciam. Escutei novamente o barulho e me agachei atrás do sofá, de canto de olho percebe que tinha alguma coisa no quarto dos meus irmãos. Levantei e bem devagarzinho fui até a porta deles. Empurrei a porta e sair correndo de medo. Depois de um tempo voltei até o quarto e resolvi olhar se realmente havia alguém lá dentro. Nada. Sai com mais medo ainda, fechei a porta, fui para sala e nada. Voltei para a porta virei para frente e vi o resto do corredor. Não Sabia se olhava para o fim do corredor ou se olhava para trás, com medo de que a coisa misteriosa me pregasse uma peça por trás. Dei alguns passos e percebe que a coisa estava dentro do meu quarto. Encostada na parede do corredor fui me arrastando até o final do corredor.  Segurei na maçaneta como se prendesse o que estivesse lá dentro, do outro lado da porta. Por medo. Mesmo assim eu precisava terminar aquilo e encontrar a minha família. Empurrei a porta e gritei de olhos fechados. Depois de um tempo curto, abrir os olhos e percebe que dentro do meu quarto havia uma luz muito forte. Tomei coragem e comecei a entrar. Olhava para todos os lados inclusive para trás. Entrei e fechei a porta, para não correr riscos. A luz me incomodava bastante e ela estava vindo debaixo da minha cama. Um pouco distante, deitei no chão e vi o que era. Rapidamente outro barulho, alguém havia entrado na minha casa! Levantei abrir a porta do quarto e vi. Eram meus irmãos brincando pela sala, minha mãe cozinhando e minha avó costurando na varandinha. Achei estranho e fui novamente para casa do Adolfo, mas ele estava lá, dormindo como um anjo. É, um anjo. Foi quando eu percebe o que havia acontecido. E agora? Como eu levo o sol de volta para o céu?



Marina Ramos