segunda-feira, dezembro 12

Marinadinha







eu quero escrever, não sei se vou mostrar, mas eu quero que você venha comigo... não precisa ser todo dia =)


Consegue sentir?




- E você já tentou dizer a verdade?
- Em meio a tanta selvageria, de que adiantaria?
- Mas e se todo mundo pensasse dessa forma?
- Talvez.
- O que?
- Talvez fizessem menos perguntas.


Marina



- ... e ai eu gritei: EI!
- E depois?
- Escutei um barulho que vinha de lá de baixo... (pausa)
- E o que você sentia?
- Falta.
- Do que?
- Do meu coração.

Marina

12/12/11























Memórias lembradas em apenas um clique, lembranças guardadas com apenas uma pulsação.

Marina

domingo, dezembro 11

Kerinduan, deixe-a falar...








Em uma sala simples de terapia, com apenas uma janela do lado de uma prateleira de livros. Encontra-se na sala um divã acolchoado e escuro, na sua frente uma poltrona do mesmo estilo. A luz da sala está apagada, pois ainda é fim de tarde.
A Terapeuta: Olá, tudo bem? Como foi o seu dia? (pausa) Bom, hoje sua tia me trouxe alguns desenhos que você fez para sua mãe... Há um tempo atrás. Estão um pouco velhos, mas acho que nem você lembrava-se deles não é? (mostra alguns desenhos) São muito bonitos, você é uma artista Ana Lua (pausa) Não quer dar uma olhada neles? (entrega os desenhos, um tempo depois Ana Lua começa a olhar os desenhos e um a surpreende)
Ana Lua: Eu sonhei com esse hoje... (mostrando)
A Terapeuta: Sonhou?
Ana Lua: (olhando para o desenho) A gente viajou pra lá semana passada (levanta a cabeça).
A Terapeuta: A gente? Quem?
Ana Lua: Eu, a Mamãe e o João.
A Terapeuta: (sem compreender) Me conta (pausa) sobre a viagem.
Ana Lua: Bem, sentei ao lado dela, como todos os domingos. E comecei a lhe contar todo meu caminho até chegar a ela, como sempre faço. Comecei falando do quanto o sol brilhava naquele dia e mesmo com o calor que fazia os passarinhos voavam como se o vento acompanhasse o movimento do sol, e sabe (pausa) acho que eles não sentiam o calor. Depois contei o quão de sorveteiro tinha pelas ruas, quantas pessoas dizendo bom dia ao mesmo tempo e a quantidade de gargalhadas que se ouvia no espaço. O desenho? Isso veio bem antes. Sonhei com ele várias vezes, mas só pude ir pra lá semana passada (olha o desenho na mão da Terapeuta) Kerinduan. Depois sentei do lado da minha Mãe. Comecei a contar sobre o meu novo sonho com ele. E lá ele me mostrava esse desenho e me levava pra lá. Estava eu, ele e a Mamãe. Sempre que ia contar uma nova história sobre ele, ela sorria. Eu sei disso porque sinto. Todo domingo eu vou lá contar uma história nova e saiu desejando sonhar com meu irmão, para depois contar pra ela. Escutei que quanto mais feliz ela ficar mais rápido ela vai voltar pra casa e vai sorrir pra eu poder ver. Semana passada, quando sonhei de novo com o desenho ele falou comigo e a Mamãe sorriu pra mim. A gente estava no rio Kerinduan, a Mamãe ia lá todo sempre comigo nas histórias. Nadamos tão fundo dessa vez que conseguíamos ver a curva do globo da terra. Estava ficando tarde (olha para janela) e a gente tinha que subir, mas eu queria ficar. Demorou e tive que subir de novo. A Mamãe de lá de cima havia prometido que voltaríamos lá, mas nunca mais eu fui. Dessa vez o João não subiu com a gente. Acho que preferiu ver o que tinha do outro lado do globo (volta a olhar pra Terapeuta). No sonho ele me disse que dava para enxergar o Teatro Municipal. Nunca perdoei a minha Mãe por isso. Depois dessa viagem, a gente fingia que o João estava lá, na Kerinduan, e eu sei que está (rir) Ele resolveu foi me enviar sonhos de lá do Teatro Municipal. Quando disse pra Mamãe isso até um presente ela me deu: Uma caixinha de música (tira do bolso a caixinha e mostra) Não toca, está velha e acabada por sinal, mas dentro tem uma coisa muito mais especial (olhando pra caixinha) Kerinduan.
(o tempo da terapia se esgota e a menina Ana Lua vai embora, perplexa a terapeuta a leva até a porta e volta a sentar na poltrona).
A Assistente: (entrando na sala) O que houve? Demoraram tanto que achei que algo havia acontecido com ela.
A Terapeuta: (concentrada na janela) Ela falou.
A Assistente: Como?
A Terapeuta: (vai até a janela e vê a menina indo embora com a Tia) Me contou de um lugar chamado Kerinduan, lá o sol brilhava e as pessoas viviam em felicidade plena. Disse que viajou pra lá semana passada com o irmão e a Mãe (pausa), o incrível é que ela não falou nada sobre a tia com quem vive.
A Assistente: (arrumando os desenhos) Mas isso é impossível.
A Terapeuta: (voltando-se para A Assistente) Como?
A Assistente: (olha para A Terapeuta) A mãe dela está internada em um hospital psiquiátrico já faz mais de dois anos por conta da perda do filho João. Ele morreu afogado já faz uns cinco anos (A Terapeuta, perplexa, senta no divã) Tenho que ir agora, aqui está a pasta da Ana Lua, já me atrasei passando aqui. Vemos-nos mais tarde.
A Terapeuta: (desconcertada) Está bem.
A Assistente: (segurando a maçaneta da porta e olhando para A Terapeuta) Ah! E por acaso, semana passada você estava na Califórnia e fazia muito sol. Aqui chovia muito, não tinha um pé de gente na rua (sai).


                                                                                                                     
 Marina Ramos

11/12/11





11/12/11







‎- Eu sonhei com esse hoje...
- Sonhou?
- A gente viajou pra lá semana passada...

Marina



- e quando eu tentei ver a hora que o sol ia se por...

- ...

- anoiteceu ¬
- há!


Marina

11/12/11



Só isso.



11/12/11











A Moi