domingo, fevereiro 26

1999.


1999.



Agosto - daquele dia.


   Uma história que não tem mais fim, ela volta. E volta, e volta... E... Volta. Já se passaram quase 9 dias e ela não volta. A sensação não é de perda. A sensação não é de ganho. A sensação é insensível. 9 dias.
   Ela entrou me olhou e disse que queria sair. Eu olhei pra ela e nada disse, como se nada tivesse acontecido voltei para o quarto e com olhos ela me acompanhou. Mesmo que eu não estivesse olhando-a nos olhos, de alguma forma ela conseguia me enxergar. Talvez eu estivesse tão transparente a esse ponto, talvez ela estivesse enxergando demais.
   Como se fosse um ser invisível ela pedia de todas as formas para que eu a deixasse. E de todas as formas eu a fazia sentar. Ela não queria mais. Já estava cansada, ela disse. Depois de 9 minutos esperando na porta, ela entrou, segurou meu rosto e disse: Me deixa. Ali eu percebi que ela só iria embora se eu a deixasse ir. Depois disso eu a segurei pelos braços, fiz com que ela se sentasse na cama... E ela me acompanhava. Em 9 segundos ela sentou, e em mais 9 ela não mais aguentou. Deitou e deixou que eu a levasse para casa.
   Depois de derramar exatamente 9 lágrimas.
   Eu a fiz levantar, eu a fiz arrumar as roupas, eu a fiz enxugar aquelas lágrimas, eu a fiz... Segurou forte a maçaneta da porta, deixou as chaves, novinhas aquelas, em cima da TV e como ela mesma diria p’ra mim se estivesse aqui, cantou. Eu amo você.
Saiu pela porta correndo, deixou cair todas as roupas pela escada, deixou o retrato quebrar, tropeçou, caiu, chorou e gritou! Me deixe ir. E de lá de cima, silenciosamente segurei a maçaneta da porta, fechei com as chaves, 9... Novinhas aquelas. E a deixei voar.



Mais uma de Amor.

terça-feira, fevereiro 14

Eu te amo, eu te amo, eu te amo... Eu não te amo (continuação III)



PARTE III




(parece escutar uma música e senti-la, mas logo para) Presa. (olha fixamente para frente e tenta controlar a raiva) Por tanto tempo. E a única saída era tentar enxergar os lados, que nem com uma régua seria capaz de medir, porque o tamanho não mais importava. (não com a cabeça) Depois de ouvir todos aqueles sons me perguntei se haviam se esquecido do ser humano guardado naquela gaveta. Insoço e talvez um tanto quanto burro. Porque é isso, (controla o choro) é isso que os seres tem se tornado, sensível no ponto principal, até o ponto de tortura crucial. O tamanho da cicatriz (mão no peito deixando lagrimas caírem) não cabe mais aqui, nem se esquecesse. Não era capaz. O meu controle remoto esta desligado. Terceira coisa. Mesmo que lhe arranquem, porque é isso que vão fazer lhe arrancar as lembranças pensamentos, deixe que o desespero te corroa por inteiro, parece que assim você consegue estar mais próximo do seu eu espiritual e talvez de uma “salvação”.  Deixe que os sons aproximem você de uma esperança, mesmo que tudo esteja perdido, porque é assim que você vai pensar no que te resta de memória. Sempre há salvação, mesmo que depois você saia com uma enorme fratura exposta (rir) tire essa imagem de fratura da cabeça, não é dessa que eu falo. Pense, ainda te resta muito tempo, ou não. Mas pense que há. Porque imagine um espaço onde criar ilusões esta tão distante? Até mesmo um ser vivo controlado precisa de ilusões para sobreviver.  O descontrolado já vive disso. Se vive? (chega perto) Vive. Quarta coisa, acabei de dizer. Não adianta ninguém dizer o quanto dueu, nem mesmo você dizer o quanto dói (lágrima cai na face) porque não existe uma explicação lógica (movimenta-se pouco) só você consegui sentir, até porque não tem como se entender. É seu. Foi seu. “Eu entendo”? (não com a cabeça) Não entende. Quinta coisa. Fortaleza. Depois de dias preso dentro de você mesmo é preciso tentar enxergar o que esta acontecendo, porque só você pode enxergar isso (aponta) Só você. Não é triste isso, ou pelo menos não era pra ser (limpa as lágrimas) O que um dia dueu em mim pode ser que não afete ninguém. E não é pra isso que a gente sofre. (pensativa) E por que mesmo a gente sofre? (rir) Não tente explicar, é tão igual à vida.
(...)


Mais uma de Amor.


logo mais a continuação...

Diá(logo)s



- É... Você sabe do que eu estou falando não é!?
- Sei sim... Inspiração.



Mais uma de Amor.

terça-feira, fevereiro 7

Eu te amo, eu te amo, eu te amo... Eu não te amo. (continuação II)





PARTE II


Primeira coisa, invisibilidade. Para isso prepare um ser humano sem nenhum tipo de objetivo e com muita caraminhola na cabeça, assim você pode guardá-lo numa gaveta e deixá-lo refletir por algum tempo, este indeterminado para que a reflexão seja transformadora. Segundo ele nada é demais ao ponto de salvar. De todas as formas, os pontos essenciais para que o universo esteja a seu favor é talvez desajeitar toda e qualquer tipo de memória. Segundo, estralhace os seus pensamentos, depois apenas queime, mas de forma esporádica. São pontos cruciais para o entendimento humano, suas lembranças. Elas sempre aparecem quando mais precisamos e rapidamente se cria uma fórmula giratória de pensamento, então melhor queimá-las.  (rir) Ah! Não podemos esquecer de um espaço bem fechado, sem janelas, ou melhor (olha pra cima) se tiver algumas rachaduras no teto e como não haveria de ter não é? Porque você pode tentar sair até por la. Fugir? Você vai tentar, mas ninguém lhe disse que ia conseguir. (grita) Grite! Mas não vai adiantar, porque o escuro vai deixar você um pouco mais aflito e ansioso. Ele vai estragar tudo. Então não grite. Seja forte (rir novamente ironicamente) forte. E ai você pensa, talvez eu agradeça. Por ter conseguido queimar todo e qualquer tipo de lembrança de pensamentos. Porque um dia queimados, nunca mais refeitos. Então eu vou esquecer de cada momento e cada palavra (forte) Esquecer.
(...)


Mais uma de Amor.



logo mais a continuação...

sábado, fevereiro 4

Mesmo assim...

Em meio a tanta desordem eu ainda tenho privilégios: sou feita totalmente de ofício, lápis e borracha.




Mais uma de Amor.

terça-feira, janeiro 31

Mas e por que eu não posso me apaixonar por ela.



- Mas e por que eu não posso me apaixonar por ela?

- Eu já te disse, porque é ela e acabou.

- Mas eu também já te disse, não tem outro jeito. Você não vê o jeito que ela me olha?

- Vejo.

- Não percebe os quão ligados estamos?

- Percebo.



- Consegue sentir o cheiro do cabelo dela em suas mãos depois mesmo dela ir embora?


- Consigo.

- Entende quando ela diz uma coisa, mas na verdade é outra. Ou quando ela rir, mesmo achando a piada sem graça só pra não deixar quem contou apático? Ou quando ela rir por mais ou menos uns 10 minutos sem parar?

- Sim.

- Senti quando ela ta com medo e pedi pra seguir ela, porque algo de ruim pode acontecer, e ai você confia nela... Confia.

- Sim.

-E depois de estar conversando com seus amigos, no meio do nada ela olhar pra você e sorrir, mas simplesmente sorrir e depois voltar a conversar. Ou quando ela ajeita o cabelo no rosto, ou bagunça ele todo zuando com o mundo... E até mesmo prende ele por causa do calor.

- É.

- Consegue perceber o quanto ela se importa com as pessoas e os animais, e quando sabe que não pode fazer nada... Ela chora, e um abraço pra ela é suficiente? Se você consegue perceber isso, eu não vejo o porquê de estar querendo que eu me afaste dela. Você não a conhece o quanto acha que conhece.

- Conheço.

- Eu também não a conheço tanto assim, mas eu sei quando ela ta rindo de verdade e quando ela esta calada é porque algo aconteceu. E se ela não quiser papo, ela vai me avisar. Ela já te contou sobre seus sonhos? Ou suas vontades? Desejos? Aposto que ela não comentou todas as manias dela com você, e sim... Ela se acha feia, mas eu sei que é pra eu a chamar de linda o tempo todo, porque ela é...




- Mas...

- Mas nada, eu não vejo um motivo para que eu me afaste de uma pessoa que me quer perto dela. Mesmo que a gente seja somente amigos, vou conversar com ela hoje, e contar sobre todos os seus sete sorrisos.

- Sete?

- Um quando ela ta muito feliz e diz que é maluca o tempo todo, outro quando ta envergonhada, outro quando rir pra não precisar falar, ou outro quando vê alguém ou algo engraçado. Outro quando esta nervosa e precisa de ajuda, outro quando está com saudade e outro quando quer abraçar alguém.

- Você não pode se apaixonar por ela.

- Agora é tarde e não vai ser por alguém, mesmo um amigo, que eu vou desistir de tê-la em meus braços.


- Não pode... Porque eu estou apaixonado por ela também.

- O que?

- E por sinal, faltou um sorriso de quando coincidentemente ela sente o mesmo por alguém.



Mais uma de Amor.

sábado, janeiro 28

Eu te amo, eu te amo, eu te amo... Eu não te amo.



PARTE I

(Um espaço vazio, uma cadeira no centro, um foco de luz)

(olhando pra baixo) Já se passaram tantos dias depois disso, e como eu havia tentado explicar (pausa) é difícil, ainda assim, eu posso tentar. Você tem ideia do que é a vida? É tão igual, tão parecido com o amor (olhando pra frente) é estranho, sem um conceito pronto, preparado pra ser extrapolado com um manual de instruções. O que será que podemos ou não fazer? E qual o sentido de cada momento que passamos? Você. Sabe dizer? (olha pra frente e aponta) Por que você esta sentado ai sem dizer uma só palavra e me olha (voz firme) desse jeito! Sente medo? Ou apenas esta esperando ouvir metade das coisas que escuta todos os dias? (balança a cabeça como sim) É. Como já esperava. Olha pro seu lado, consegue enxergar alguma coisa? Não, além disso, você consegue ver? Esperei várias noites (pausa) noites? Como se eu soubesse se era dia, mas dava pra sentir. O tempo mudava, apesar do barulho que se escutava, acostumava. O som agudo, fundo e quase imperecível de lembranças sujas já não era mais um desconforto. Imagine você (se vira para frente) consegue guardar um segredo?  (rir e balança a cabeça como um não) Não sabe. E graças a isso eu demorei tanto pra entender.  Já percebeu quantas vezes a gente morri em um dia? (olha fixo) Eu não. Antes disso eu só conseguia perceber o silêncio. (se vira rapidamente e olha ao redor) Consegue escutar? É só isso. O silêncio. O pequeno silencioso silêncio dos incompreendidos e controlados remotamente. Assim.  Ta aqui pra que? Quer ouvir mais uma história ou apenas mais dez mandamentos para ter a certeza de que ninguém presta nesta bosta de espaço? Nenhum som era igual aquele (mãos no ouvido) Tão agudo e frio. Ficava lá (aponta) esperando que a qualquer momento algo pudesse aparecer e acontecer. Tudo tão sujo, podre, fedia a (estala os dedos) pó.  Eu posso dizer o que você quer escutar, que foi pra isso que você veio não é? (rir) Perguntas. Nunca serão totalmente respondidas. E as dúvidas sempre permaneceram. Fato. Fato? 
(...)


Marina Ramos


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