terça-feira, fevereiro 14

Eu te amo, eu te amo, eu te amo... Eu não te amo (continuação III)



PARTE III





(parece escutar uma música e senti-la, mas logo para) Presa. (olha fixamente para frente e tenta controlar a raiva) Por tanto tempo. E a única saída era tentar enxergar os lados, que nem com uma régua seria capaz de medir, porque o tamanho não mais importava. (não com a cabeça) Depois de ouvir todos aqueles sons me perguntei se haviam se esquecido do ser humano guardado naquela gaveta. Insoço e talvez um tanto quanto burro. Porque é isso, (controla o choro) é isso que os seres tem se tornado, sensível no ponto principal, até o ponto de tortura crucial. O tamanho da cicatriz (mão no peito deixando lagrimas caírem) não cabe mais aqui, nem se esquecesse. Não era capaz. O meu controle remoto esta desligado. Terceira coisa. Mesmo que lhe arranquem, porque é isso que vão fazer lhe arrancar as lembranças pensamentos, deixe que o desespero te corroa por inteiro, parece que assim você consegue estar mais próximo do seu eu espiritual e talvez de uma “salvação”.  Deixe que os sons aproximem você de uma esperança, mesmo que tudo esteja perdido, porque é assim que você vai pensar no que te resta de memória. Sempre há salvação, mesmo que depois você saia com uma enorme fratura exposta (rir) tire essa imagem de fratura da cabeça, não é dessa que eu falo. Pense, ainda te resta muito tempo, ou não. Mas pense que há. Porque imagine um espaço onde criar ilusões esta tão distante? Até mesmo um ser vivo controlado precisa de ilusões para sobreviver.  O descontrolado já vive disso. Se vive? (chega perto) Vive. Quarta coisa, acabei de dizer. Não adianta ninguém dizer o quanto dueu, nem mesmo você dizer o quanto dói (lágrima cai na face) porque não existe uma explicação lógica (movimenta-se pouco) só você consegui sentir, até porque não tem como se entender. É seu. Foi seu. “Eu entendo”? (não com a cabeça) Não entende. Quinta coisa. Fortaleza. Depois de dias preso dentro de você mesmo é preciso tentar enxergar o que esta acontecendo, porque só você pode enxergar isso (aponta) Só você. Não é triste isso, ou pelo menos não era pra ser (limpa as lágrimas) O que um dia dueu em mim pode ser que não afete ninguém. E não é pra isso que a gente sofre. (pensativa) E por que mesmo a gente sofre? (rir) Não tente explicar, é tão igual à vida.
(...)



Marina Ramos


logo mais a continuação...

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