terça-feira, julho 16

A gente.



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Eu mesma que um dia disse que não
Hoje olho pra trás e percebo o quanto já fiz
Pra que depois tudo fizesse sentido
Ainda que longe, tão perto estive
Ainda que longe, tão ligada estive
Ainda que perto, tão cega me mantive
Eu queria poder, falar o por que
De tanta asneira, uma cabeça merecer
Antes eu não conseguia te ver, mesmo que você passasse tão de perto
As minhas vistas estavam embasadas, costuradas a outros olhares
Os meus olhos estavam encantados por um outro coração
Que favor fez em me libertar de um tão forte pensamento
De um forte seguimento
De um intenso falso amor
É que não existe fórmula, acontece
Simplesmente ou não, acontece
Depois de um certo tempo
A natureza fez seu trabalho
Me levou até o paraíso, e de lá me ofereceu uma verdade
Me fez provar em dúvida, me deixou tonta de desejo
Querendo ou não, era quase possível
Um olhar, uma percepção
E pronto, estava feito
Eu só o seguir, não lhe prometendo voltar
Não lhe estendendo o próximo dia
Mas sim, o agora.
Em troca, a realização de uma troca de abraços
Da união de dois corações
Do encontro de dois corações.
Dois livres, intensos e apaixonados corações.
Paguei.
Paguei um saldo altíssimo de palavras mal ditas, ou melhor, palavras ditas em vão.
Minha mente fez um nó
E o outro dia, foi uma espera
Outra sua espera.
A vontade era de que você se fizesse presente
Eu já não estava mais ligando pro que pudesse, viesse acontecer
Já havia me burlado
(E gostei tanto disso)
Depois, você veio, solto
Crescido, superior
E eu, conhecendo, te desenhando com as cores que podia te enxergar
Mas nada, ainda poucas linhas brancas
Sem tantas cores
Só a lembrança de um outro dia.
Um presente, uma cheia, uma estrela gigante
E você, sorridente, solto e cheio de energia
De fato, uma energia totalmente, apaixonante.
Veio o beijo.
O conselho.
A conversa, me guardar ou falar?
Assegurar ou desgrudar de fato totalmente
É que eu gostei, é que foi bom
Mas acho que não é nada além.
Um sumiço, um aperto
Aparição, e é sem querer!
Eu sei.
Depois, a saudade
E ela não acabava
Ela não termina
Saudade é lembrar com carinho, é entender que estar longe é uma conseqüência da lembrança.
O reencontro.
E eu te acho tão lindo, tão solto, tão, tão, pertinho de mim
Mas ainda aquela sensação
Uma perda, aquela sensação do início de um falso amor, um outro olhar
Não podia ser a mesma coisa
Ai você volta, me olha, me toca e me pedi paciência
Um pouco perdido, meio sem orientação
Quase me gritando coisas que só eu devo saber
Por um lado, a parte que me mostra que não devo, ou não deveria continuar
Por outro a vontade de cuidar, a vontade de prometer sempre voltar
E mostrar que eu levo você comigo sempre
Mesmo longe, eu sinto você aqui
E acho que já te conheço há tempos...
(E eu gosto tanto disso)
O porquê é simples e singular talvez
É que só queremos viver, só queremos estar quando possível estar
No meu eu mais profundo, eu sinto que você já ocupou um espaço totalmente necessário
Que só esperava te ver chegar
Que só entendia isso se fosse assim, livre
Ah... sei lá, eu parei há muito tempo de me preocupar com tanta burocracia pros sentimentos
“Que maravilhosa forma de pensar”
Não me importo. Eu tenho paciência, crio forças.
Quero que nunca pare de sonhar
Quero que não me deixe ir tão fácil
É que tudo isso é saudade
Tudo isso,

É a gente.


Mais uma de Amor.

terça-feira, fevereiro 19

À última flor da janela do lado da casa esquerda.







           Era noite e gelava como nunca mais havia esfriado. Ela nunca mais havia aparecido na janela, era um pouco difícil perceber aquilo tudo. Para que eu conseguisse enxergar algum tipo de movimento se fazia necessário me amarrar ao pé da cama e envergar-me até não conseguir tocar os pés no chão. Daquela forma passei todos esses 5 meses, no entanto ela nunca me viu.
           Um dia tive a péssima ideia de me envergar um pouco mais, afinal, ela valia qualquer tipo de tentativa. Mas dessa vez fui muito além, mas não passei do chão do jardim. Quando acordando estava, sentir uma presença de jasmim ao meu redor estava no jardim e alguém me puxava os cabelos. Ela era. Tão pequena tão razoável. Simples. Tão minha e tão livre. Era como se ela respirasse como um passarinho que podia perceber os sentidos de qualquer outro animal que se aproximasse.
          Era perfeito. Eu tinha a situação, o acidente, o momento e a flor. Foi quando por uma imensidão de imensuráveis e lentos 3 minutos ela sumiu. E eu acordei de uma leve pancada. Mas não era possível que aquilo pudesse ter sido somente um sonho. Ou um sinal. Talvez um sinal. E como lidar com algo tão distante? Como entender este sinal? Dias se passaram até eu entender que tudo aquilo era poesia. Amor. Uma paz imensa que me invadia me envolvia e me rasgava a alma. Eu estava complemente louc@, alucinad@ e incapaz de entender tudo aquilo. Todo aquele sentimento que me não me suportava, que sem respeitar o meu espaço e minhas vontades rompiam a porta do meu coração.
          Daquela casa nada era normal. Movimentações suspeitas e um jarro lindo no canto esquerdo. Um jarro lindo, uma cor avermelhada e ao mesmo tempo um verde que sobressaia de dentro. Eram detalhes que me envaideciam e me preenchiam. Um dia passei o dia me perguntando se talvez, alguém, um dia, pudesse me olhar de lá. Mas não. Isso nunca aconteceu. Por mais otimista e esperançosa que a situação me propiciava. Contudo, aquela janela me enchia de prazer e verdades, vaidades. Narcisismos e um tanto de reflexões.
            5 meses exatos de frio extremo. 5 exatos meses de puro  anti socialismo. Voltando ao acidente, que permeava a minha memória, sentir vontade de poder expressar tudo que estava engasgando-me há tempos antigos. Antigos e miseráveis tempos de tortura. Tortura esta de amor. Platônico e ensurdecedor amor que me sugava a alma. Como era possível? Um alguém tão distante e ao mesmo tempo tão próximo?
        Nessa sensação de loucura e complexos, tomei coragem e fui até a porta. De longe, atravessava olhando para os lados rezando para que um caminhão passasse muito perto e com um susto eu me assustasse e novamente, como sempre, fugisse dali. Mas o miserável não passou. Andei mais devagar e nada. Cheguei até a porta, olhei para cima como se esperasse um possível sinal novo. O sol estava pino, e o frio era de doer. Como um filete milagroso, o sol havia em cegado. E olhando para cima permaneci. Aflit@.
        Com seus exatos e puros 3 minutos em que cronometrei as batidas do meu coração juntamente com o da porta, a minha cegueira momentânea e todo o meu amor maluco sentir algo em arrebatar. O jarro havia caído sobre a minha cabeça. Cai no chão como qualquer coisa que saia do seu pé, da sua origem. Relativo.
      Um pouco sombri@, fui acordando e lá estava ela. Uma linda imagem, uma linda renascença. Um mistério delicioso de se querer provar. Um sabor quase inerente. Uma vida quase que propícia a loucuras. Uma bela e impermeável menina, a última flor da janela do lado da casa esquerda.



Mais uma de Amor.

terça-feira, janeiro 29

Tão nós.




                                                       ***                                                                    

Ele disse que não ia me beijar
Mas ele beijou
E eu também disse que tudo aquilo talvez fosse passar
Mas não passou
Por algum tipo de fraqueza ou de sorte
Mesmo que não fosse tão forte
Aquilo tudo cresceu
E não foi da noite para o dia (e nem vise versa)
Hoje eu me peguei olhando profundamente pro meu eu,
Mas lá no interior
Onde tudo esteve tão confuso
E hoje às vezes senti a solidão tão de pertinho,
A verdade ela é plural, e o correto não há
E até que eu quisesse fugir
Ou um dia talvez recomeçar
Tudo aquilo que um dia fez tanto e tampouco sentido para nós dois
Eu estaria me enganando
Fugindo de mim mesma
Estaria correndo de mim
De você
De nós dois
A verdade ela é plural, continental e por vezes distante
Não sabemos a ordem, mas ainda assim faremos, fazemos planos
Não sabemos sobre as surpresas, e nem elas sobre nós
De nada temos certeza
Só mesmo daquilo que eu guardo em mim
Sinto em mim
Para você,
Que um dia já me olhou com tanta vontade de amar
E eu um dia me deleitei nos braços de voar,
Reparo, afago, me jogo, me deito, e voo
Para que tudo aquilo que hoje faz mais sentido, mesmo sendo confuso às vezes
Para que possamos aproveitar cada minuto juntos
Ou distantes
Ou equiparantes
Para que nós dois, sejamos nós dois
Pequenos, porém grandes
Pretensiosos e desesperados
Aliviados e totalmente desregulados
Porém, definitivamente
Apaixonantemente
Amantes para todo sempre.



Mais uma de Amor.

quarta-feira, janeiro 9

Meu caro querido.




- Oi.

Não tenho mais forças para dizer uma se quer outra palavra que não seja isso. Oi.
Saúdo aqueles que conseguem transformar isso em uma frase composta, ou que ao menos possa acompanha-lo com um sorriso. Estive pensando em lhe falar isso há tempos meu querido, mas não consigo. Não sozinha. Não sem te olhar, pela última vez... Juro que dessa vez vai doer menos, dessa vez vai ser para sempre. Estamos os dois cansados, digo, exaustos. Não sei como você suportou todos esses dias, ainda com coragem e forças para retornar cada carta que eu não enviei. Retornar todos os sorrisos que eu não te dei. Retribuir as forças que eu nunca nem se quer te emprestei. Não sei mais se é medo, acho mesmo que estou fadigada da vida.
Desculpa meu querido, falo demais e sei que palavras assim pode nos machucar ainda mais. Só que eu não consigo ser diferente e acho que você sabe disso. Quero fazer diferente dessa vez meu amigo. Quero que dessa vez eu possa ser diferente pra você. Para nós dois. Querido, deixo então aqui uma lista de coisas para você não esquecer. Aqui vão:
1-   O mundo não vai acabar, ele só vai descansar por um dia, até o mundo merece isso não é? Talvez falte luz na cidade toda, mas a Lua não vai te deixar na mão.
2-   Por favor, não deixe mais pra depois aquele seus inúmeros projetos de vida. Sim, são só projetos, no entanto meu querido, eles só irão fazer, de fato, parte de você quando coloca-los em prática.
3-   Não esquece que o leite azeda.
4-   Cuidado quando usar aquele seu sapato sem cadarço, da última vez eu tive que te salvar.
5-   Escute as melhores músicas que puder. Elas serão melhores porque você vai acha-las assim, serão melhores para você.
6-   E não deixe de sonhar nunca, foi assim que a gente se conheceu, sonhando...

7, 8,9,10,11, 12, 13, 14, 15, 16...

Ainda assim, eu sei que você vai acabar esquecendo muitas das coisas que eu listei. Sinto por continuar sendo tão metódica e sonhadora. Meu caro, não consigo mais, por isso já fiz a minha lista de coisas a não mais esquecer. E depois de você... Ela parou de crescer. Não sei como fazer mais, não posso te ver chorar por isso mando essa carta. Um tanto quanto tradicional para você, um querido tão moderno e ao mesmo tempo tão... Você. Quero desocupar você, ando fazendo muita falta a mim mesma, já não penso mais em mim. Quero desocupar você de pensar em mim também. Querido, só tenho mais a lhe dizer que eu sentirei a sua falta. Falta de sentir o seu sorriso chegar a mim com tanta força. A falta ainda mais de escutar você falar qualquer coisa. E mais ainda de te perceber como percebi esses dias. Tudo isso só foi para dizer pela primeira vez: Oi... Oi meu amor.






Mais uma de Amor.

sexta-feira, dezembro 7

Arredia.





***


Um dia desses eu acordei querendo roubar a lua pra mim. Egoísmo! Disse a minha consciência. Ontem eu acabei descobrindo que tem alguém apaixonado por mim. Já parou pra pensar que enquanto estamos tão revoltados ou ligados em outras coisas da vida, pode ter alguém por ai que só pensa na gente? Que pode está apaixonado por nós? Nesse caso, por mim. Dia desses me sentir tão sozinha. Foi isso que me tirou dessa tremenda fossa. Eu sabia que em algum lugar desses tem alguém que é por mim. Essa história toda da lua surgiu como um surto da minha psiques mal curada. Se é que isso pode acontecer.   
Estava eu andando pela casa até quando escutei um barulho e como não me importava mais esse mundo, medo já não estava incluso em minha cons(ciência). Descobrir que tinham acabado de invadir a casa da minha vizinha. O pior que a invasão era de mentirinha. Ela tinha pagado um cara para invadir a casa dela e depois... Daí já não mais importa. Quando dei por mim estava muito próximo da varanda, percebendo todo aquele movimento que se passava. Quanto mais ele subia, ela fingia que gritava, até porque aquele horário mais “ninguém” estava acordado. Além de mim, claro, percebendo toda aquela cena cômica e um tanto quanto exagerada. Mas ainda assim me perguntava “Por quê?”. Primeiro pensei que pudesse realmente ter sido isso, pagamento e produção. Talvez ele fosse o que chamamos de moço da conta. Da conta das mãos, dos pés, das coxas... Mas e por que ele não poderia ser um amigo que veio conversar nas horas vagas enquanto sua família esta sonhando? Enfim, toda aquela história me trouxe uma sensação muito arredia. Eu simplesmente sentir raiva dela. Porque nem invadindo a minha casa conseguir tal proeza, aliás, nem nunca invadiram minha casa. Foi quando tive uma ideia!
 Era uma quinta feira à noite e eu estava totalmente em mim. Olhei pela janela que dá para vizinha, e a deixei entreaberta. Jurei que nunca mais faria isso. Peguei a minha chave, abrir a minha porta e deixei a chave lá, pendurada. Sentei no sofá como se esperasse qualquer coisa e a qualquer momento. Esperei. Esperei. Esperei... Cochilei. Acordei assustada dando o pulo do gato “Ai! Entraram e eu nem sentir!”. Dei-me conta de que a porta estava exatamente no mesmo lugar, eu sentada exatamente como estava e já era de manhã. Raiva. Esperei a outra quinta feira. Olhei pela janela e vi que a vizinha já se preparava para o desfrute. Foi quando peguei a chave, abrir a porta e sentei no sofá. Esperei, esperei... Nada. “Não é possível!” Gritei. E isso foi se repetindo, repetindo, repetindo. E foi se tornando um vício profundo. “Essa é a última vez.”.  Enganava-me.
Até o dia que eu fiz tudo como mandava meus costumes. Só que dessa vez a vizinha estava na sua sala de leitura, tomando chá. “Chá? Mas será que ela enlouqueceu? Ou simplesmente esqueceu que dia é hoje?” Enfim, encucada, mas continuei arrumando tudo nos conformes. Peguei a chave, abrir a porta e sentei no sofá. Só que dessa vez eu não cochilei, não teve nem tempo. Sentir que tinha alguém se aproximava. “Mas o que isso?”. Não me conformei. Todo esse tempo e agora que entrou? Não me conformei. Ele entrou, pegou as chaves e trancou a porta. Olhou pra janela entreaberta e me segurou firme. E ai eu cochilei. Profundamente. Só que dessa vez eu acordei com outra aparência, com outro cheiro, como outra. Nesse dia não sai de casa. Anoiteceu. Foi quando resolvi abrir a janela. Ai eu vi. Minha vizinha no quarto e o cara invadindo novamente sua casa, como de costume. “Mas... Mas... Mas! Então hoje é quinta feira?”
Percebe tudo que eu havia feito, estava ficando louca ou o quê? Não é possível. Fechei a janela, peguei a chave, abrir a porta e como ficou eu a deixei. Entrei pela sua porta entreaberta, subi suas escadas, entrei no seu quarto e vi a movimentação. Com um suspiro o homem que invadia a sua casa todas as quintas feiras nunca havia sido um problema perante a minha presença ali. Antes mesmo dela falar alguma coisa, ainda em pleno movimento, eu suspendi a minha inocência e fraqueza e disse “Ontem foi quarta feira!!!”. E em ininterruptos momentos, lancei a minha fraqueza perante aquele movimento. Foram dez lances. Em cada um.
Sai de lá, deixando a porta aberta e suas chaves penduradas na porta. Entrei em casa, fechei a porta e deixei a janela entreaberta. Sentei no sofá e cochilei. Um dia desses eu acordei querendo roubar a lua pra mim. Egoísmo! Disse a minha consciência. Ontem eu acabei descobrindo que tem alguém apaixonado por mim.



Mais uma de Amor.

terça-feira, junho 26

Hoje eu acordei.




   Hoje eu acordei preocupado, não tinha certeza se era mesmo verdade tudo aquilo que aconteceu ontem comigo. Ou melhor, ontem não, há tempos aquilo estava na minha cabeça, rondando o meu corpo, a minha alma e os meus sentimentos que não vivem à sós. Ontem, é só uma maneira egoísta de contar o quanto eu demorei pra entender isso. Agora a incerteza percorre as minhas veias que estão saltando dos meus braços, da minha memória, da minha cabeça. Estou explodindo por dentro e tento omitir tudo isso por fora. Será mesmo preciso exigir tanto de mim? Será necessário mentir sobre isso? A verdade é que agora eu estou completamente, indeciso.

   Hoje eu acordei preocupado. O que eu quero contar é indescritível, ou incontável, são sentimentos involuntários. E sentimentos assim não se descrevem, não se entendem... São sentidos. Aliás, nenhum sentimento. Há algum tempo eu tenho evitando assumir tudo isso. É que agora eu cresce mais, começo a andar com meus próprios pés, está "tudo" dando certo e eu - modestia parte - agora eu sou diferente, a beleza bateu na minha porta. Entende? Assumir isso agora é tão difícil pra mim quanto pra você ,que me parece agora tão compreensiva e sensível pra mim. Eu não sei o valor disso, mas é muito forte e agora ninguém mais pode se entrometer. Acho que isso somos nós dois, e mais ninguém.

   Hoje eu estou prestes a acordar pra um novo sonho, sim, eu estou dizendo tudo isso pra você. Hoje eu acordei prestes a fazer uma loucura. Eu ia embora e ia deixar a pessoa que me completa ir embora também, me deixar, eu ia te deixar. Mas eu percebe que eu preciso fazer isso, preciso ficar e te contar o que eu sinto. E eu já começei, e se eu não continuar... Eu não o farei mais. Você conhece o meu jeito, sabe dos meus gostos e sabe que eu te engano. Que engraçado isso, mesmo sabendo que eu te enganava quando dizia que fazia uma coisa e estava em outro lugar, você me recebia com um sorriso limpo e com tanto amor e atenção! E isso em deixava louco! Louco de raiva por você não admitir que estava com ciúmes e que estava triste por eu não te dar a atenção que merecia. Louco ainda mais por gostar tanto de você e quando  te ver isso ser único, ser nosso, ser tanto assim! Nós. Louco por quando estamos distantes você lembrar de mim, e eu pensar tanto em você, mas não dou o braço a torcer. Louco por ser um covarde e preferir a minha liberdade.

   Quando estou com você eu sempre pensava em te contar isso, mas eu precisava de um tempo. Um distanciamento. É que eu não consigo admitir, não sei se vai dar certo, ou vai dar tão certo que eu só tenha você e mais ninguém. E você vem com esse jeiitnho de que me quer tanto pra você e pergunta "Pra que tanto medo?". Eu realmente queria saber, mesmo não admitindo que não sinto medo. Eu faço a sua cabeça, mas eu sei que você não é besta e você me quer bem. Aqui eu já pensei em parar várias vezes, mas quando você me olha assim, eu sei que é preciso continuar. Será que a gente se engana? E você novamente não entende a minha "enrolação" e me diz que a nossa sorte é o nosso ascendente. Eu transformei tudo isso em cobrança, em algo tradicional, mas eu confirmo, somos um "casal" diferente.

 Hoje eu acordei preocupado, é que eu, tão certinho, doidinho e popular, estou completamente apaixonado por uma menina linda, simples, doidinha e que anda descalça por ai.




Mais uma de Amor.

domingo, maio 13

A Meninice.


          


      Me disseram hoje que o sol não vai mais nascer. Fiquei tão desesperada que fui correndo pra casa. Quando cheguei, estava lá, a casa vazia. Entrei e comecei a procurar meus irmãos, um de cada vez, eu tinha feito uma lista mentalmente. Fui à cozinha, onde com toda certeza alguém estaria esperando por mim, a mamãe. Mas nem ela estava lá. Era como eu havia dito - vazia. Mas como? Precisava fazer alguma coisa, afinal, como viveríamos sem o sol daqui em diante? Elas que faziam valer cada minuto quando estava cansada de buscar água no poço, elas que me de alguma maneira me davam esperança para poder continuar a caminhar descalça pelo barro.
         Depois de um tempo sozinha, fui procurar o Adolfo. Entrei na sua casinha e ali fiquei. Ele também não estava mais. Acho que foram embora e me deixaram para trás. Será que eu devo ir atrás? Mas para onde eles poderiam ter ido? Nessa hora eu escutei um barulho que vinha do meu quarto. Bati a minha cabeça na quina na casa do Adolfo, corri até a cozinha peguei a colher de pau da mamãe e fui até a porta que já estava fechada. Fui andando olhando profundamente todos os cômodos que apareciam. Escutei novamente o barulho e me agachei atrás do sofá, de canto de olho percebe que tinha alguma coisa no quarto dos meus irmãos. Levantei e bem devagarzinho fui até a porta deles. Empurrei a porta e sair correndo de medo. Depois de um tempo voltei até o quarto e resolvi olhar se realmente havia alguém lá dentro. Nada. Sai com mais medo ainda, fechei a porta, fui para sala e nada. Voltei para a porta virei para frente e vi o resto do corredor. Não Sabia se olhava para o fim do corredor ou se olhava para trás, com medo de que a coisa misteriosa me pregasse uma peça por trás. Dei alguns passos e percebe que a coisa estava dentro do meu quarto. Encostada na parede do corredor fui me arrastando até o final do corredor.  Segurei na maçaneta como se prendesse o que estivesse lá dentro, do outro lado da porta. Por medo. Mesmo assim eu precisava terminar aquilo e encontrar a minha família. Empurrei a porta e gritei de olhos fechados. Depois de um tempo curto, abrir os olhos e percebe que dentro do meu quarto havia uma luz muito forte. Tomei coragem e comecei a entrar. Olhava para todos os lados inclusive para trás. Entrei e fechei a porta, para não correr riscos. A luz me incomodava bastante e ela estava vindo debaixo da minha cama. Um pouco distante, deitei no chão e vi o que era. Rapidamente outro barulho, alguém havia entrado na minha casa! Levantei abrir a porta do quarto e vi. Eram meus irmãos brincando pela sala, minha mãe cozinhando e minha avó costurando na varandinha. Achei estranho e fui novamente para casa do Adolfo, mas ele estava lá, dormindo como um anjo. É, um anjo. Foi quando eu percebe o que havia acontecido. E agora? Como eu levo o sol de volta para o céu?


Mais uma de Amor.